Após um tempo de jejum, volto a dedicar-me ao Blog.

Não sei se todos tomaram conhecimento, mas Jon “Maddog” Hall (presidente da Linux International) concedeu uma entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura durante um dos maiores eventos de tecnologia do país – a Futurecom.

Na pauta das discussões o tão pôlemico tema – Software Livre (SL) vs. Software Proprietário.

Aqui faço uma ressalva para não confundirmos livre com gratuito. São abordagens bem diferentes. Quando afirmo que determinado Software é livre, estou afirmando que quando eu adquirí-lo (quer seja pago ou gratuito) eu terei direito ao seu código fonte. A partir daí, poderei alterá-lo como achar melhor para que ele atenda as minhas necessidades.

Quando possuo essa liberdade de alterar o código fonte, nasce um outro conceito – SaaS (software como serviço, traduzido).

Agora, o software deixará de ser um produto e passará a ser um serviço, a medida que eu poderei customizá-lo para atender necessidades específicas de cada um dos meus clientes.

Durante a entrevista, Jon foi bastante incitado e provocado a falar sobre a Microsoft. Um fato interessante revelado por ele é que nos EUA há legislações diferentes para empresas de porte diferentes. Lá o monopólio é permitido. No entanto, esse monopólio é fortemente regulamentado pelo governo para que abusos não sejam cometidos.

Jon revelou ainda que na sua opinião, o SL é uma questão econômica e independe de ideologia político-partidária. Houve momentos em que um dos entrevistadores insistiu que na verdade a questão era extremanente política. Porém, no final foi esclarecido o ponto de vista de Hall e se pode mostrar as nuances econômicas por trás da produção de software.

Outro quesito interessante abordado foi a empresa Google. Jon foi questionado se o Google era bom ou ruim. Ele respondeu que não sabe dizer se o Google é bom ou ruim. Respondeu apenas que o Google está fazendo muito dinheiro através do software livre.

No geral a entrevista foi interessante. Entretanto, creio que o nível poderia ter sido melhor se o nível técnico dos entrevistadores fosse mais alto. Assim, ao invés de ficar discutindo se SL era estimulado por um fator econômico ou político, ou se a Microsft é ou não o demônio, outras questões mais interessantes poderiam ter sido abordadas. Por exemplo, o que se espera do SL para os próximos cinco anos? E nos próximos dez?

Como ele vê o avanço do SL nos últimos anos? O que mais facilitou esse avanço? Como as pessoas que estão entrando na área de TI e as pessoas que já fazem parte – mas conhecem pouco a respeito de SL – podem se esclarecer mais a respeito do assunto? Como se qualificar em SL? O que são certificações profissionais e quais são as recomendadas na área de SL?

Essas são apenas algumas das questões que poderiam estar em pauta para tornar o debate mais interessante. Mesmo assim, a entrevista foi bastante interessante e iniciativas como essas devem ser cada vez mais estimuladas.

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